A velhice, tema presente em várias obras do Phillip Roth, escancara um medo quase obsessivo do dito autor de morrer ( leia entrevista na Folha do último sábado). Ele reflete (ou exorciza) sobre esse medo com a acuidade que caracteriza sua escrita (na entrevista citada: "a velhice é um massacre"). Mesma acuidade que resulta em criações que essencialmente dissecam a experiência de ser humano (e sofrer com todas as imperfeições que tal condição impõe) enquanto desenvolve uma trama qualquer, absolutamente coadjuvante. Entendo a velhice como uma equação difícil de fazer quando se tem 30, mas é um tema recorrente nos meus pensamentos. Não pelo medo de morrer - é definitivo, pelo menos -, mas porque, na medida em que envelhecemos (ou amadurecemos, não necessariamente nessa ordem), a sensação de começo e fim de fases e etapas se torna evidente demais para ser ignorada - muitas vezes não porque você não queira, mas simplesmente porque o tempo já passou. E não poder mais fazer certas ...
And the sky is full of dreams / But you don't know how to fly