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Revolta

Choque, tristeza, ansiedade - e incredulidade, como eu não tinha TV por perto realmente acreditei que podia não ser tão sério. Ao ler as notícias da queda do avião, saído da terrinha, não sei o que chocou mais.

Tantas vezes publicamos, editamos e lemos notícias de acidentes aéreos. Choca, mas um acidente na Ucrânica não toca a pele. Um acidente aéreo no Brasil lacera a pele. De um vôo saído de Porto Alegre, estraçalha a pele.

Levar 5 horas para conseguir ler a lista de passageiros tira o ar. Ler sobre Congonhas, a consternação do Lula, as análises de especialistas... revolta. A morte de mais de 200 pessoas é a cereja de um bolo amargo que dura meses, sem solução. Será preciso transformar uma tragédia horrível, inexplicável, que poderia não ter acontecido, em marco para resolver um problema que trata de seguraça pública?

O que indigna mais? O "tudo bem" sobre o caos aéreo que antecedeu o acidente ou a solução forçada por mortes prematuras?

A Dona Maria, assim como eu, não está nem aí se a causa do acidente não tem nada a ver com um sistema áereo falido. O que fica é o choque mediante dois acidentes aéreos de aviões de passageiros em menos de 10 meses.

Basta.

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