Tuesday, September 18, 2007

"A velhice é um massacre"

A velhice, tema presente em várias obras do Phillip Roth, escancara um medo quase obsessivo do dito autor de morrer (leia entrevista na Folha do último sábado). Ele reflete (ou exorciza) sobre esse medo com a acuidade que caracteriza sua escrita (na entrevista citada: "a velhice é um massacre"). Mesma acuidade que resulta em criações que essencialmente dissecam a experiência de ser humano (e sofrer com todas as imperfeições que tal condição impõe) enquanto desenvolve uma trama qualquer, absolutamente coadjuvante.

Entendo a velhice como uma equação difícil de fazer quando se tem 30, mas é um tema recorrente nos meus pensamentos. Não pelo medo de morrer - é definitivo, pelo menos -, mas porque, na medida em que envelhecemos (ou amadurecemos, não necessariamente nessa ordem), a sensação de começo e fim de fases e etapas se torna evidente demais para ser ignorada - muitas vezes não porque você não queira, mas simplesmente porque o tempo já passou. E não poder mais fazer certas coisas (mesmo porque você não quer mais) me soa a menos liberdade. Detesto a sensação de perder a liberdade, mesmo quando ela se refere a coisas que eu não faria. Não sei, gosto de pensar que as opções estão ali. Talvez seja a minha versão de síndrome de Peter Pan.

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